Participação na execução e desenvolvimento do Projeto Piloto Família Acolhedora para a SMADS da Prefeitura de São Paulo

O Instituto Via Pública participou da execução e desenvolvimento do Projeto Piloto Família Acolhedora implementado pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) na cidade de São Paulo entre 2004 e 2008. O Família Acolhedora foi concebido como uma espécie de embrião para testar os procedimentos para uma futura implantação do Serviço Família Acolhedora no município.

Esse projeto previa a escolha de famílias para a guarda temporária de crianças e adolescentes afastados de seus parentes e tinha como objetivo reintegrá-los, mais tarde, às suas famílias de origem.

A Smads contou com vários parceiros com atuação reconhecida em atividades com crianças e adolescentes, entre eles a Agência Regional para Adoções Internacionais (Arai), da região de Piemonte, Itália, o Instituto Rukha e o Instituto de Terapia Familiar de São Paulo (ITF), além de obter o apoio do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Acompanhamento e avaliação

Nesse trabalho, o papel do Via Pública foi monitorar e avaliar todos os procedimentos necessários à implantação e execução do projeto. Os técnicos do Instituto também deram apoio técnico para sistematizar a metodologia utilizada e gerenciaram os encontros de capacitação dos agentes sociais envolvidos nas atividades.

A participação do Via Pública começou já na fase de implantação do projeto. Técnicos do Instituto estiveram nas reuniões da Comissão de Implantação e nas reuniões regionais, ambas realizadas mensalmente. Os técnicos do Via Pública participaram ainda de uma série de encontros com a equipe do ITF e com os coordenadores da Smads. Essas reuniões foram fundamentais para determinar o modelo de monitoramento e da avaliação assumido pelo Via Pública.

Foi elaborada uma metodologia de acompanhamento e avaliação de todas as etapas do acolhimento – seleção e capacitação das famílias candidatas, acompanhamento do acolhimento, das crianças e adolescentes, da família de origem e da família acolhedora. A previsão inicial era de que o projeto poderia inserir até 16 crianças e ou adolescentes em famílias acolhedoras.

Embora possa ser considerada de alcance relativamente limitado, a metodologia é bastante complexa em relação às atividades desenvolvidas e à quantidade de técnicos e instituições envolvidas no projeto. Os técnicos do Via Pública buscaram em especial o aprimoramento da objetividade dos métodos utilizados pelas terapeutas do ITF, que foram as responsáveis pelo acompanhamento das crianças e dos adolescentes, de suas famílias de origem e das famílias colhedoras.

O projeto piloto finalmente realizou, em novembro de 2007, os primeiros acolhimentos.

Dificuldades e ajustes

O papel do Via Pública também foi sugerir e discutir ajustes do método de trabalho junto aos coordenadores, diante das dificuldades que apareceram ao longo do processo. O baixo número de famílias interessadas em acolher as crianças e adolescentes foi um dos maiores obstáculos que surgiram. Outro problema foi algumas famílias terem confundido o projeto com adoção ou fornecimento de auxílios para ajudar na manutenção de crianças e adolescentes que já estavam sob seu encargo.

Foi preciso ampliar a divulgação e ao mesmo tempo realizar visitas e palestras para a apresentação do projeto piloto e de seus objetivos em órgãos públicos, igrejas, entidades diversas e associações de bairro, contam Annez Andraus Troyano, diretora de pesquisas e metodologias do Via Pública, e Douglas Mendosa, técnico analista do VP.

Coube ainda ao Via Pública fazer uma pesquisa com todas as famílias que manifestaram algum tipo de interesse e que efetuaram contato com o projeto. Um dos principais objetivos desse levantamento foi identificar o perfil de crianças ou adolescentes que seriam acolhidos pelas famílias, caso ingressassem no projeto.

Ao mesmo tempo, foi levantado o perfil das crianças e adolescentes que viviam nos serviços de acolhida das Varas de Pinheiros e Santo Amaro, a partir do cadastro das mesmas. Os dados foram comparados e o cruzamento das formações resultou num documento entregue aos parceiros do Família Acolhedora.

Projetos realizados