21 dez 2011 | Categoria(s): Notícias do Via Pública | Tags:Prefeitura de São Paulo, saúde, SMS São Paulo
Os 96 distritos aparecem no mapa acima divididos segundo as Coordenadorias Regionais de Saúde: Centro-Oeste, Leste, Norte, Sudeste e Sul.
Uma das explicitações mais dramáticas da desigualdade social no município de São Paulo é retratada num dos mapas do Atlas da Saúde da Cidade de São Paulo, elaborado pelo Instituto Via Pública nos marcos de parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). É o que mostra, no capítulo da Oferta de serviços de saúde, a distribuição pelos 96 distritos administrativos da cidade, em dezembro de 2009, dos estabelecimentos privados, categoria que engloba hospitais e prontos socorros, consultórios (inclusive odontológicos), clínicas e policlínicas, serviços de apoio à diagnose e terapia e outros tipos de estabelecimentos.
Num total de 11.653 estabelecimentos públicos e privados, esses últimos somavam 10.641, e sua concentração, visualizada no Mapa 63 do Atlas, fala por si mesma:
Ao mesmo tempo, a natureza da política de saúde da SMS, cujo objetivo é melhorar a cobertura nas áreas onde predominam moradores que dependem exclusivamente do SUS para diagnóstico e tratamento, aparece no Mapa 68:
Para realçar o contraste, eis a visão de dois distritos onde há pouquíssimo equipamento privado:
Cidade Tiradentes, na Zona Leste:

Esquerda: Cidade Tiradentes, consultórios e clínicas ou policlínicas privados; à direita, serviços públicos de atenção básica
Gajaú, na Zona Sul:

Esquerda: Grajaú, consultórios e clínicas ou policlínicas privados; à direita, serviços públicos de atenção básica
O mesmo exercício comparativo poderia ser feito com dezenas de outros distritos da capital paulista.
O Atlas mostra que 51% dos estabelecimentos estão em 10 distritos, enquanto 10,7% estão em 50 distritos, vários com grande população. Um deles, Jardim Helena, na região Leste, tinha no final de 2009 menos de 10 estabelecimentos para mais de 152 mil habitantes.
Dos estabelecimentos públicos, a imensa maioria (88%) pertence ao município (estaduais, 11%, e seis unidades federais). No terceiro mapa do município visto acima estão os pontos representativos de 818 unidades de atenção básica.
Saúde e mobilidade urbana
Dos 219 estabelecimentos com leitos para internação de pacientes, 133 eram privados e 86, públicos. Do total de 34,6 mil leitos, 17,7 mil (51%) eram conveniados ou contratados pelo SUS: porcentagem inferior à da população sem plano privado de saúde (55,6%), objeto do capítulo sobre a Necessidade dos serviços.
Nas áreas mais afastadas do centro havia 47 distritos sem registro de leitos conveniados ou contratados pelo SUS, o que torna mais graves as deficiências do transporte público na capital paulista. No mapa abaixo também se percebem áreas centrais sem essa modalidade de leito.

Em cinza, 47 distritos onde, em dezembro de 2009, não havia leitos conveniados ou contratados pelo SUS
O problema de distribuição pelo território municipal dos equipamentos de saúde pública poderia ser atenuado se houvesse um sistema de trânsito mais moderno. Mas o que ocorre é o contrário, de tal maneira que a sacrificada mobilidade urbana agrava a desigualdade geográfica.
Na apresentação do Atlas da Saúde da Cidade de São Paulo, o secretário de Saúde, Januario Montone, explica que desde 2005 uma das estratégias da área que dirige é “promover uma expansão do acesso com forte redução das desigualdades regionais”.
Essa diretriz é observada no mapa que mostra a distribuição dos estabelecimentos públicos, acima. As unidades públicas de atenção básica ─ cujo número cresce em razão inversa à da concentração de estabelecimentos privados em áreas centrais ─, e a estratégia de saúde da família concorrem para reduzir a necessidade de internações e de recurso a procedimentos mais complexos. Com essa política, tendem a diminuir os deslocamentos de pacientes para áreas centrais da cidade.
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